Falar sobre saúde mental no trabalho exige mais do que uma campanha ou uma cor no calendário. Exige observar como as pessoas estão vivendo, trabalhando, sendo lideradas e se relacionando. Muitas vezes, o sofrimento não aparece de forma evidente: ele pode estar no silêncio, na queda de desempenho, no afastamento das relações ou na dificuldade de pedir ajuda. Por isso, cuidar também significa aprender a perceber o outro e a si mesmo.
Talvez um dos primeiros equívocos seja tratar vida e trabalho como realidades separadas. O trabalho ocupa uma parte importante da nossa história, mas não pode ocupar todos os espaços. Descanso, saúde, relações afetivas, família, amizades, lazer e projetos pessoais também sustentam quem somos. Equilíbrio não é dividir o tempo igualmente, mas reconhecer quando uma área começa a comprometer todas as outras.
Na minha trajetória na Sollo, compreendi que o cuidado com o colaborador começa, principalmente, pela escuta. Antes de corrigir um comportamento ou analisar um resultado, é necessário entender o contexto daquela pessoa. Isso não significa retirar responsabilidades, mas construir relações de trabalho mais humanas, nas quais seja possível conversar sobre dificuldades sem transformar vulnerabilidade em fraqueza. É isso que costumo discutir com os líderes nas formações que realizo periodicamente.
Esse compromisso aparece em práticas como pesquisas de clima, espaços de escuta com diretores, ações de saúde, incentivo ao desenvolvimento profissional e formação das lideranças. Nenhuma iniciativa, isoladamente, elimina o sofrimento, mas todas ajudam a construir um ambiente mais seguro e respeitoso. Lideranças preparadas para dialogar, orientar e encaminhar adequadamente as situações fazem diferença no cotidiano das equipes.
O Setembro Amarelo deve ser menos sobre discursos prontos e mais sobre compromissos permanentes. Uma empresa que cuida não promete uma rotina sem dificuldades, mas se recusa a normalizar a exaustão, o isolamento e a indiferença. Na Sollo, seguimos construindo esse cuidado de forma contínua, entendendo que resultados sustentáveis também dependem de pessoas que se sintam reconhecidas, respeitadas e apoiadas.
Rafael Schaeffer dos Santos — Mestre em Psicologia e Coordenador de DHO da Sollo Brasil